domingo, 28 de fevereiro de 2010

O Box Cinema não tem jeito: o desrespeito aos espectadores continua

Domingo, 28 de fevereiro de 2010. 15h20min. Chego ao setor de bilheterias do Box Cinema juntamente com minha esposa e meu filho e me deparo – mais uma cansativa vez –com duas gigantescas filas para compra de ingressos. Ao meu redor, centenas de pessoas formam pequenos grupos e entabulam suas conversas esperando que as longas e vagarosas filas avancem um pouco mais. O passo lento e enervante está relacionado com o fato de que apenas duas jovens trabalhadoras atendiam a multidão ansiosa para comprar seus ingressos e adentrar as salas escolhidas.

A ansiedade explícita de várias pessoas ali presentes não se coadunava com uma atitude de passividade e conformismo observado naquele ambiente. À exceção deste blogueiro, apenas mais duas pessoas partiram na direção da gerência do Box Cinemas para reclamar aquela situação e exigir que fossem destinados mais funcionários para o atendimento nos caixas, uma vez que as próprias funcionárias nos informaram que outras colegas haviam faltado neste dia de trabalho.

Depois de muitas tentativas, conseguimos falar com o subgerente exigindo o respeito a todos os espectadores, o que foi de pouca valia, considerando que o ilustre subgerente nos disse que não poderia fazer nada, que isso era um problema da diretoria e que, se nós quiséssemos, poderíamos conversar pela internet com o presidente da empresa Box Cinemas, que é controlada pelo Grupo Internacional CineOcio Desarollo e tem sua sede na Espanha.

Imaginem se o capitalista espanhol, dono dessa rede de cinemas teria um tempinho para conversar com indignados espectadores de nossa Ilha Rebelde para discutir e resolver os inúmeros problemas criados por sua empresa.

Este desrespeito não pode continuar. Apenas para fins de registro desta questão, lembro-lhes que publiquei um artigo no dia 10 de janeiro, publicado no Jornal Pequeno, discutindo o mais completo desrespeito do Box Cinemas aos espectadores de São Luís e que esta atitude merece um olhar dos órgãos de controle e defesa dos consumidores de nossa cidade, a exemplo da Promotoria dos Direitos do Consumidor e do PROCON.

Da população, por outro lado, espera-se uma atitude mais protagonista e ativa no sentido de exigir os seus direitos de cidadão e consumidor e cobrar as mudanças necessárias e imediatas que o Box Cinemas deve fazer.

Temas para o debate na sociedade

Gostaria de ressaltar e agradecer o espaço que o Jornal Pequeno vem oferecendo em suas páginas de opinião para que eu possa levantar algumas questões pontuais, de interesse público, que se conectam com os grandes temas que serão amplamente debatidos no âmago do processo político e eleitoral deste ano de 2010.

Claro, o objetivo de publicar esses artigos também está relacionado com a necessidade de fazer chegar ao maior número de leitores estas idéais que venho lançando para o debate com os movimentos sociais e os lutadores das causas sociais em nosso estado e no Brasil.

Espero que meus artigos sejam recepcionados como uma pequena contribuição para esse debate e, em face disso, conclamo os camaradas para visitarem este blog e darem a sua balizada opinião sobre os temas já abordados por mim.

Você será bem recebido.

A MARCHA DO DESENVOLVIMENTO CAPITALISTA NO BRASIL: a economia política da questão regional

Pensar o conceito e a realidade histórica da chamada “questão regional” nos leva a considerar a análise do desenvolvimento nacional na medida em que a dimensão espacial é resultado da produção e reprodução da vida material no âmbito das relações sociais capitalistas, as quais se inserem no território como totalidade.

Um conceito como “questão regional” vem à tona e se estrutura com base em um contexto histórico específico externando tanto as abordagens teóricas, quanto os movimentos da história. A idéia de região é vinculada à definição de marcos espaciais fixos, sistematizados convencionalmente, tendo como base a existência de aspectos naturais similares ou certas características históricas e culturais afins.

As circunstâncias que levaram à ocupação e formação do espaço econômico no Brasil, com características de descontinuidades quer sejam temporais ou mesmo geográficas, teve como conseqüência em três séculos de história colonial, o fato de que cada região produtora buscasse sua vinculação econômica aos portos existentes, sem conseguir implantar inter-relações entre si. Esta herança da nossa formação social e econômica levou à determinação da natureza intrínseca da “questão regional” no Brasil.

A “questão regional” funda-se no desenvolvimento da colônia, contexto em que se estruturaram diversas economias regionais primário-exportadoras com base no trabalho escravo. Com o fim da escravidão e o desenvolvimento das formas capitalistas de produção, estas, ocasionaram um forte "desequilíbrio regional" no Brasil, uma vez que São Paulo passou a concentrar a produção industrial no país, passando a se configurar uma hegemonia do seu sistema fabril sobre o conjunto das regiões, hegemonia esta traduzida como sendo uma relação de trocas entre o centro e a periferia do capitalismo no Brasil (Cano, 1977).

O destaque paulista está relacionado com a emergência, no oeste daquela unidade federativa, da burguesia cafeeira. Surgia assim uma burguesia mais moderna que usava o trabalho assalariado do imigrante ao invés do escravo, numa referência à implantação das relações capitalistas de produção.

A tônica deste período foi o surgimento de várias crises e de várias transformações na estrutura produtiva do país marcada pela aliança política e de classe entre os estamentos burocráticos e patrimonialistas e a burguesia cafeeira (Oliveira, 1993). A manutenção destes pactos estabelecidos entre os segmentos políticos e econômicos atrasados com os modernos levou à industrialização, mas deixou de lado suas referências regionais. Estes arranjos deixaram de representar a aliança da burguesia industrial do Sudeste, que tinha como objetivo direcionar suas estratégicas para um mercado nacional em estruturação e um setor das burguesias agrárias detentoras de uma considerável inserção e controle do poder político.

Para Francisco de Oliveira, o regime escravocrata foi a grande base da unidade da América portuguesa, unidade esta que se manteve intacta no Brasil independente, mesmo com as rebeliões havidas. A escravidão percorreu todo o território nacional, de norte a sul, dos igapós amazônicos aos pampas gaúchos. A classe dominante também havia se unificado e tinha um tipo social característico: os senhores de escravos.

Estes senhores da Casa Grande e Senzala tinham todo o interesse em manter a unidade territorial. Em primeiro lugar, porque era prova de garantia de que o tráfico africano haveria de continuar, pelo menos até 1851, quando foi proibido, num enfrentamento com a Inglaterra. Em segundo lugar, era prova de garantia também que o tráfico interno seria parte dessa unidade de classe, uma vez que esta prática mantinha os preços da escravaria num nível adequado para os seus interesses mercantis.

A unidade política entre os potentados e o Estado serviu para sufocar as rebeliões escravas, dentre elas a Balaiada, em solo maranhense, sob a liderança de Negro Cosme. Esse processo criou as condições necessárias para que a classe senhorial escravagista impusesse a sua vertente centralizadora e unidade nacional, sublimando as tendências centrífugas, consubstanciadas em inúmeras tentativas de fragmentação, de criação de unidades independentes.

Abordando as desigualdades regionais e a concentração industrial no Brasil, Wilson Cano destaca que a partir de meados do século XIX, seriam criadas as bases para que a indústria pudesse surgir e crescer no país, levando à criação, mesmo que ainda embrionária, de um mercado interno. Para o autor, antes da subida de Vargas ao poder, em 1930, a economia se caracterizava pela dispersão na formação de suas regiões, pensadas separadamente. Cada uma delas apresentava uma conotação histórica e um desenvolvimento econômico particular.

O ano de 1930 tornou-se uma espécie de marco simbólico da inserção do Brasil na “modernidade”, uma vez que no contexto histórico adstrito a estas transformações estruturais do país, cabe tanto a passagem da economia agrário-exportadora para a civilização urbano-industrial como a estruturação do Estado Nacional, base essencial que levaria a fundo o projeto burguês.

Esse processo dificilmente teria se tornado uma realidade sem que houvesse uma forte intervenção do aparelho estatal na tarefa de criar e implantar novos instrumentos de ação institucional, claramente direcionados para as políticas de planejamento e execução de importantes investimentos em infra-estrutura, buscando suplantar o tipo de organização territorial oriundo da economia primário-exportadora.

Mesmo no âmago desta forte intervenção do Estado, o patamar em que chegou a integração regional foi incapaz de superar as disparidades oriundas do período colonial, quando o Nordeste ainda detinha uma parcela significativa da riqueza nacional. No entanto, na medida em que a marcha da industrialização concentrou-se no Sudeste, principalmente em São Paulo, esta tendência histórica aprofundou certas disparidades, demandando ao Estado a necessidade de criar e implantar políticas específicas de planejamento regional, até então pioneiras no país (Cano, 1977).

As classes sociais oriundas do capital cafeeiro, no contexto mencionado, não se tornaram de todo hegemônicas no sentido de serem capazes de levar adiante este processo de modernização capitalista, uma espécie de hegemonia inacabada, levando o Estado a um ponto de mediação desses interesses em jogo, definindo-se como um “Estado de Compromisso” (Oliveira, 1993).

No Brasil, a União Federada foi alicerçada sobre as oligarquias que deram sentido e significado a República, e, como corolário desse processo, na opinião de Francisco de Oliveira (1999), o nosso republicanismo não encarava as grandes questões da cidadania moderna, uma vez que seus pilares foram erigidos com conteúdo e princípios antidemocráticos.

Para Cano (1998), depois de 1930, a integração do mercado nacional levou à alteração desse quadro, dado o aprofundamento das relações econômicas entre São Paulo e as demais unidades federativas. Ao passo em que se acelerava o desenvolvimento e a industrialização de São Paulo, o processo de trocas se tornava mais complexo e aumentava em quantidade, passando a exigir que fossem realizadas várias e importantes modificações do processo produtivo em termos das estruturas regionais e, ao mesmo tempo, motivando seu crescimento econômico.

O período entre 1930 e 1970 representou uma tendência histórica na qual o Brasil, de maneira permanente e sistemática, alcançou taxas de crescimento econômico em patamares sempre superiores à média do mundo capitalista. Neste sentido, São Paulo acompanhou a tendência de crescimento, apresentando inclusive taxas anuais acima da média nacional.

Tendo em vista este forte crescimento econômico verificado em São Paulo, estas condições históricas aliadas às características típicas do processo de concentração econômica regional daí decorrente, fizeram com que o país vivenciasse uma significativa disparidade nos níveis de renda per capita e das condições de vida das populações entre as diversas regiões, com destaque para o Nordeste, o Sudeste e o Sul. Em 1970 – auge deste processo de concentração – São Paulo detinha cerca de 60% da produção industrial brasileira.

Para Wilson Cano, a concentração antes referida não causou atraso ou algum tipo de estagnação à periferia nacional. Na verdade, ocorreu o contrário, uma vez que as demais unidades federadas alcançaram de mesmo modo, taxas elevadas de crescimento, decorrentes do desenvolvimento de maiores e melhores relações econômicas com a “locomotiva” paulista.

Esta tendência levaria a uma integração do mercado interno, tanto no plano comercial quanto na produção propriamente dita, a partir da industrialização. É o momento em que várias regiões são inseridas na lógica de acumulação do capital, lógica esta que atravessa a economia nacional, ampliando os investimentos em várias regiões, vinculando a dinâmica econômica regional à reprodução do capital industrial.

Consolidada a matriz industrial do país, no interregno entre 1970 e 1985, a acumulação capitalista no Brasil cobrava um empenho maior na área periférica em termos de produção, tendo em vista a necessidade de se utilizar os recursos naturais disponíveis nestas regiões. Assim, a instalação de um número considerável de projetos econômicos e estruturais de grande porte (hidrelétricos, não-ferrosos, químicos e petroquímicos) acabou tendo como destino final as regiões periféricas, ampliando as suas possibilidades de crescimento.

Para concluir, ressalte-se que este deslocamento da instalação de novas unidades produtivas na periferia, somada aos resultados oriundos das políticas de desenvolvimento regional, implantadas sob a égide da Ditadura Militar, acabou levando a criação das condições para a irrupção de importante processo de desconcentração industrial em várias regiões do país.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Memórias de memoriais lutas

A intenção em publicar neste blog a carta-aberta que deu origem à jornada de muitas lutas e conquistas no seio da Universidade Estadual do Maranhão, a nossa querida UEMA, tem o condão de registrar essa bela e combativa história de professores, servidores técnico-administrativos e alunos que, cansados do velho bordão “professor, na UEMA é assim mesmo” - numa espécie de determinismo histórico tosco e inaceitável – resolveram dizer um rotundo NÃO e colocaram-se em movimento.

Naquele dia 5 de dezembro de 2000, a mobilização em frente ao portão de entrada da UEMA – território da luta – marcou o início do levante da Universidade que não aceitava mais ficar restrita aos seus muros. Munidos de cópias da tabela salarial daquela época, fomos à mídia local e expusemos a dramática situação dos mestres, que lutavam para equiparar os seus vencimentos ao patamar do salário mínimo do ano de 2000, no mesmo contexto em que a mandatária Roseana Sir Ney vendia seu peixe do salário mínimo de 100 dólares, engabelando os servidores e iniciando sua trajetória na disputa presidencial de 2002 e finalizando no escândalo da Lunus.

Os jornalistas não entendiam como um professor da UEMA ganhava menos que o salário mínimo como vencimento básico. Mas, a Comissão de Imprensa daquele dia de paralisação de advertência espalhou essa incrível notícia e a repercussão foi grande. O movimento cresceu e animou os colegas para novos embates como de fato acabaram ocorrendo.

Neste contexto, nascia o embrião do Coletivo Autonomia e Luta, movimento de base, crítico, combativo e protagonista de muitas lutas e conquistas para os professores, com independência de classe e de peito aberto, fizeram uma verdadeira revolução na academia e na consciência dos segmentos que vivem o cotidiano da comunidade acadêmica.

Muitos amigos, lutadores de fibra, colegas do peito e do convívio na construção da mudança social no interior da UEMA, merecem todo o meu respeito e a minha saudade de tantas emoções e alegrias que vivemos juntos.

Só espero que quando chegar o dia do nosso reencontro, teremos muito o que conversar e retomar o fio da meada de homens e mulheres que mostraram e continuam mostrando a sua coragem e o seu compromisso com a construção de uma Universidade Pública, autônoma e democrática, com qualidade social, capaz de cumprir a sua missão histórica para os filhos dessa terra chamada Maranhão.

Aquele bate-papo está nos chamando, com aquela loira gelada e muitas histórias para contar e saudades a transbordar sobre nós.

Para não esquecer as lutas e as conquistas na UEMA

TEXTO ORIGINAL DO BOLETIM DA APRUEMA, ANO 2000

APRUEMA Associação dos Professores da UEMA 244-2740

CARTA ABERTA À SOCIEDADE PELA CONSTRUÇÃO de uma UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO PÚBLICA, GRATUITA e DEMOCRÁTICA, com AUTONOMIA e SALÁRIOS DIGNOS!

A governadora Roseana Sarney não valoriza a Universidade Estadual do Maranhão e seus segmentos acadêmicos (alunos, professores e técnico-administrativos). Para os funcionários da UEMA, os últimos seis anos se traduzem no maior arrocho salarial da sua história. Os técnicos-administrativos, por exemplo, estão desde fevereiro esperando o salário de 100 dólares prometido pela governadora, com estardalhaço, em toda a imprensa nacional.

A inflação do Plano Real, de julho/1994 a outubro/2000, medida pelo INPC/IBGE, chegou a 93,02% e enquanto isso, os nossos salários tiveram reajuste negativo. Neste período, a governadora aumentou as alíquotas de desconto para o IPEM e não destinou para os nossos salários os aumentos do salário mínimo, ou de algumas categorias do funcionalismo estadual, num desrespeito ao tratamento igual que deve ser dado conforme a constituição.

Neste dia 03/12, por exemplo, a governadora Roseana Sarney anunciou um aumento para a Polícia Militar e para os técnicos de nível superior do estado. Depois de um ano, a governadora disse que vai dar os 100 dólares. E a UEMA vai ficar de fora mais uma vez?

É importante que a sociedade saiba que nosso Plano de Carreira está defasado e que recebemos hoje R$760,00 o que representa metade do que recebe um professor 40 horas do ensino médio da rede estadual. O salário base de um professor 20 horas é de R$141,11, menor que o mínimo. Essa discriminação não pode continuar! Exigimos igualdade de direitos!

Queremos construir uma Universidade para os maranhenses, que tenha a sua autonomia respeitada e que isto não seja apenas letra morta na Constituição Estadual. Afinal, em 1999, por exemplo, o governo repassou apenas 23% dos recursos orçamentários da UEMA. Esta situação não pode continuar! Para onde está indo o dinheiro da UEMA?
Realizamos, hoje, um DIA DE PARALISAÇÃO DE ADVERTÊNCIA em todos os campi da UEMA, denunciando as nossas perdas salariais de 93,02% e a negativa do governo em reajustar os nossos salários. Estamos cobrando da governadora o atendimento da pauta de reivindicações, entregue à ela e ao Reitor, em meados deste ano e não respondida até agora.

Faz-se urgente que a comunidade universitária se una em defesa do caráter público e gratuito da UEMA. A nossa vitória representará uma melhoria para todos os segmentos acadêmicos e viabilizará uma universidade com um ensino de qualidade, com pesquisas e programas de extensão voltados para a sociedade que a sustenta com os impostos.
A negativa da governadora e do Gerente Danilo Furtado em não conceder nenhum reajuste salarial para os docentes da UEMA, mesmo tendo recebido a pauta de reivindicações, é uma atitude inaceitável e terá como resposta a mobilização e a luta dos seus trabalhadores.

Lutamos pelo repasse integral do orçamento da UEMA; reposição salarial de 93,02%, incorporação da gratificação de 222%; novo Plano de Carreira; democracia verdadeira, com eleição direta em todos os níveis e nomeação do mais votado; mais laboratórios; construção do prédio das licenciaturas e mais salas em São Luís e viabilização dos prédios dos Centros no interior; mais pesquisas com ampliação dos programas de pós-graduação, com a liberação dos docentes e garantia de bolsas; não à privatização, com a garantia do PROCAD transparente, público e gratuito, bancado pelo governo estadual e municipais.

São Luís(MA), 05 de dezembro de 2000

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Um pouco de poesia

O Delta pariu um Camarada

Camarada das artérias
Impacientes
Convulsivas
Impertinentes
Abusivas
Camarada da pressão que não cede
Mas, aumenta
os batimentos
Deixando o Ser
num frêmito sem controle
Que nem uma mineira conciliadora
Consegue segurar.
Ainda Camarada
Com esses óculos fundo de garrafa
e um charuto, cubano, Che?
A olhar de soslaio naquelas enfadonhas
reuniões
E pensar e dizer: vão tomar no...
Esse Camarada, realmente, é o Cara!
Que a vida lhe seja Eterna
e que tua Saúde e Vigor não pereçam jamais,
Camarada!

Democratizar a comunicação é preciso!

Camaradas,

Tenho consciência e um pouco de experiência adquirida em longas conversas com colegas docentes, alunos-blogueiros, blogueiros-jornalistas, etc., que o metier dessa figura [o blogueiro] nascida no seio daquilo que chamam de “pós-modernidade” no contexto do aprofundamento do papel histórico cumprido pela tecnologia aplicada aos meios de comunicação inclusive na sua versão fetiche, é uma ferramenta interessante que busca pautar a idéia da liberdade de cada um e do seu próprio pensamento pelas infovias e, ao mesmo tempo, pela materialidade do cotidiano.

Os milhões de escribas-blogueiros que levam aos quatro cantos do mundo a sua verve multicolorida talvez estejam prestando um grande serviço ao processo histórico de enfrentamento do controle da grande mídia e da sua lógica mercantil no palco desse grande aparato de construção de hegemonia representado pelos monopólios da comunicação social, com os seus escudeiros: os coronéis eletrônicos da “pós-modernidade”, como é o caso de Sir Ney no Maranhão, do falecido ACM, na Bahia, e mais uma penca dessas figuras decaídas.

Essa lógica do lucro fácil e dos processos de mistificação e manipulação das consciências deve ser denunciada, por um lado, e, por outro, devemos procurar alternativas que nos levem a construir novos paradigmas e maneiras de informar e educar o conjunto da população, que deve cobrar a produção da informação de qualidade e democrática, superando essas estratégias mistificadoras que levam ao aprofundamento mais completo da alienação e da sujeição ao consumismo desenfreado e alheamento da sua própria realidade.

A luta deve ser feita. Quem se dispõe?